Crise? “Precisamos de pensar” em poupar combustíveis, luz e

Crise? "Precisamos de pensar" em poupar combustíveis, luz e

A ministra do Meio Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, reconhece a incerteza associada ao conflito no Oriente Médio e admite que a situação pode evoluir para uma crise de abastecimento. Por isso, alerta para a necessidade de se economizar energia. “Precisamos pensar um pouco melhor em economizar mais em todo o setor de energia, seja petróleo, diesel, a própria eletricidade e gás”, disse a ministra do meio ambiente, em declarações à CNN Portugal. A governante acrescentou que “agora é só uma crise de preço mas se (a guerra no Irã) não acabar dentro de algumas semanas pode ser mesmo uma crise do abastecimento”. “Porque crise de preço, por muito tempo, depois vira crise de abastecimento”, explicou. Em entrevista ao mesmo canal, a ministra disse que o governo está preparando medidas para mitigar os efeitos em articulação com parceiros europeus, mas reconhece que não será possível evitar totalmente o impacto. Além disso, acrescentou que o objetivo é reduzir os efeitos sobre consumidores e empresas, mantendo medidas temporárias e coordenadas em nível europeu. Costa promete apoio da UE à energia em “momento dramático e desafiador” O presidente do Conselho Europeu confia que os líderes da União Europeia (UE), reunidos no fim da semana, aprovarão medidas de apoio diante dos altos preços da energia, considerando que essa crise vem em um “momento dramático e desafiador”. “Esta crise representa um momento dramático e desafiador para a ordem internacional baseada em regras e, evidentemente, tem um enorme impacto nos custos da energia. Por isso, apelamos à Comissão Europeia para que apresente um conjunto de medidas temporárias e específicas destinadas a fazer face a este aumento dos custos da energia”, afirmou António Costa. Em entrevista à Lusa e a outras agências de notícias no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) às vésperas de uma cúpula europeia marcada para quinta e sexta-feira sobre competitividade econômica, inclusive na energia, o presidente do Conselho Europeu ressaltou: “Sem dúvida, temos que tomar decisões. É por isso que precisamos nos reunir (pois) é na reunião que vamos tomar decisões”. O encontro europeu de alto nível ocorre cerca de três semanas após o início da ofensiva militar realizada por Israel e os Estados Unidos contra o Irã e consequente resposta iraniana. “Essa situação nos lembra que estamos no caminho certo ao investir na transição energética porque não podemos depender da energia importada e precisamos desenvolver energia produzida internamente, seja a partir de fontes renováveis ​​ou nucleares, mas precisamos ser independentes e fortalecer nossa autonomia estratégica”, acrescentou. Segundo o ex-primeiro-ministro português, antes mesmo da atual crise energética causada pela situação no Oriente Médio, o Conselho Europeu já havia “identificado que é preciso reduzir o custo da energia” na UE. “A melhor maneira de fazer isso é investir cada vez mais em energia produzida internamente. Quando você olha para o mapa de custos de energia na Europa, fica claro que as regiões com preços mais baixos são aquelas onde a energia produzida internamente é mais intensa, a Península Ibérica e os países nórdicos”, exemplificou. Além disso, a longo prazo, será preciso “analisar os diferentes componentes dos custos de energia e tentar resolver essa questão”, concluiu Antonio Costa. As declarações do líder europeu vêm em um momento em que os preços da energia (gás e luz) sobem acentuadamente no espaço comunitário. Entre as opções em discussão na UE estão a possibilidade de limitar temporariamente o preço do gás, reduzir impostos e encargos nas contas de energia e permitir apoio estatal a empresas e setores industriais mais afetados pelos altos custos de energia. Bruxelas também avalia quaisquer ajustes no mercado europeu de carbono e o uso de reservas estratégicas de energia para ajudar a estabilizar os preços. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia defende medidas de proteção aos consumidores e insiste que a resposta estrutural é acelerar o investimento em energias renováveis, redes elétricas e eficiência energética, mantendo o atual modelo do mercado europeu de eletricidade. Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar em grande escala contra o Irã. Teerã respondeu fechando o Estreito de Ormuz e lançando ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases dos EUA e outras infraestruturas em países da região. Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia – especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – tende a gerar choques nos mercados internacionais de energia e a elevar os preços. Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente. Leia Também: REN alerta: Alta dos combustíveis terá impacto nas contas de energia

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