Emprego não evita pobreza em Portugal (e mulheres têm maior

Emprego não evita pobreza em Portugal (e mulheres têm maior

Os níveis de pobreza em Portugal mantiveram em 2025 sua tendência de diminuição, passando de 16,6% da população em 2024 para 15,4% no ano passado. Contudo, os números continuam a apresentar grandes fragilidades, especialmente, nas franjas mais vulneráveis ​​da população, contabilizando 301 mil crianças e 541 mil idosos em situações de pobreza em 2024. O estudo intitulado “Portugal, Balanço Social 2025” é da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), que “analisa a pobreza a partir do rendimento, para de seguida, abordar outras dimensões” afetadas por esta condição. Você pode consultá-lo na íntegra aqui. O relatório aponta que “os desempregados continuam sendo o grupo mais afetado pela pobreza (42,6%) ainda que haja uma queda em relação aos 44,3% verificados em 2024”. Contudo, é de notar também que a taxa de pobreza entre trabalhadores persiste, assolando 8,6% de quem mantém um emprego (em 2024, eram 9,2%, sendo, portanto, uma descida residual). Entre os aposentados, a história se repete: 16,4% dessa parcela da população está em situação de pobreza (eram 19,6% em 2024). A pobreza é mais comum entre desempregados (42,6%), em famílias monoparentais (35,1%), e em indivíduos com níveis de escolaridade mais baixos (21,3%). Nas famílias numerosas, cerca de 27% estavam em situação de pobreza em 2025. O estudo também nota que as mulheres continuam tendo maior risco de pobreza do que os homens, apresentando uma probabilidade de 16,3% quando comparadas aos homens, que apresentam uma probabilidade de 14,5%. Quando à distribuição da pobreza pelo país, o Alentejo mantém a maior taxa, com 17,9%, seguido pelos Açores, com 17,3%. A Grande São Paulo tem a menor prevalência de pobreza, com 12,2%. O relatório aponta ainda que também houve diminuição da desigualdade da distribuição de renda, porém, em 2025, “os 10% mais ricos detinham quase oito vezes mais renda disponível do que os 10% mais pobres”. Em 2024, quase metade da renda do país (46,5%) pertencia aos 25% mais ricos no território nacional. 301 mil crianças e 541 mil idosos em situação de pobreza Nas franjas mais vulneráveis ​​da população, o estudo afirma que o risco de pobreza entre as crianças diminuiu entre 2023 e 2024 (não apresentando dados relativos a 2025), passando de 20,6% para 17,8%. Em 2024, havia ainda registro de 301 mil menores pobres em Portugal. A condição de pobreza nas crianças “apresentava taxas de privação significativamente maiores” em todas as dimensões analisadas pelo estudo, “destacando-se a não participação em atividades extracurriculares ou de lazer regular (49,7% nas crianças pobres ante 22,2% nas não pobres), bem como a impossibilidade de participar de viagens e atividades escolares não gratuitas (22,7% vs. 8,2%)”. Já a população acima de 65 anos apresentou uma taxa de risco de pobreza de 21,2% em 2024, valor que fica “bem acima da média nacional” de 16,6%. Ao todo, serão cerca de 541 mil idosos em situação de pobreza. Esse grupo continua sendo o que apresenta, sistematicamente, dificuldades em manter sua casa devidamente aquecida, além de 1 em cada 3 viverem em moradias “com o telhado, paredes janelas e piso permeáveis ​​a água”. Quase 1 em cada 4 também considerava que os custos de hospedagem eram um encargo muito pesado. Agregados pobres moram em casa superlotadas e permeáveis ​​a água Os problemas com a habitação, nota o relatório, estendem-se ao resto da população, com as pessoas em situação de pobreza a revelarem “carências habitacionais bastante marcadas”. “Em 2024, cerca de 33,4% dos agregados pobres em Portugal tinham encargos com a habitação que excediam 40% do rendimento do agregado (face a 12% da população não pobre), 30,9% não tinham capacidade de manter a casa adequadamente aquecida e 39,2% de a manter confortavelmente fria no verão”, aponta o documento. Para além disso, 17,3% das famílias pobres viviam em habitações superlotados e 40,4% desses moravam em casa com telhado, paredes, janelas ou chão permeáveis ​​a água ou até mesmo apodrecidos. O estudo também menciona outra dimensão da situação de pobreza, apontando que quem vive em uma “situação econômica mais confortável” diz está “mais satisfeito” com a democracia. Do outro lado do espectro, 60% de quem tem dificuldades para pagar as contas diz estar insatisfeito com o regime atual. Nesse grupo, quase 90% avaliaram “como ruim a situação da economia e do mercado de trabalho em Portugal”. Leia Também: Pobreza baixa para 15,4%, mas desigualdades persistem em Portugal

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