DBRS vai mexer no rating de Portugal hoje? Eis o que esperam

A DBRS vai avaliar a dívida soberana de Portugal nesta sexta-feira, pela segunda vez este ano, e analistas ouvidos pela Lusa antecipam uma manutenção do ‘rating’ em ‘A’ (elevado), enquanto a perspectiva pode melhorar. Vítor Madeira, analista de mercados da Xtb Portugal, apontou à Lusa que “não é esperada qualquer alteração face à avaliação de janeiro, perspetivando-se a manutenção do ‘rating’ no patamar ‘A’ (elevado)”. “O panorama macroeconômico atual permanece muito alinhado com o do início do ano, sem surpresas drásticas que justifiquem uma subida ou descida imediata da nota”, detalhou, por isso a manutenção deste rating “vem salientar o estatuto consolidado de Portugal enquanto país credível a nível europeu, um facto materializado na capacidade do país de se financiar nos mercados a custos inferiores aos de economias principais como França, Espanha e Itália”. Já a alta pontual do índice da dívida em função do PIB para 91% no primeiro trimestre “exige da agência de ‘rating’ uma postura de monitoramento”. Contexto geopolítico continua sendo um desafio Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, também não antecipa uma mudança no ‘rating’, nomeadamente tendo em conta que o contexto geopolítico atual continua a ser um desafio. “O conflito com o Irã introduziu uma nova camada de incerteza sobre os mercados de energia e as cadeias de suprimentos globais, com reflexos diretos nas expectativas de inflação”, considerou, e os números da inflação vêm sendo revisados para cima e os bancos centrais podem mudar o posicionamento, o que é um risco relevante para o crescimento. No que diz respeito ao ‘outlook’ (perspectiva), “o cenário base aponta igualmente para a sua manutenção em “estável”, embora os indicadores atuais já construam uma base sólida para uma eventual revisão em alta no futuro”, sinalizou Vítor Madeira. “A agência deverá adotar uma abordagem prudente”, nomeadamente tendo em conta os riscos externos em curso, mas caso a DBRS surpreenda com uma revisão para perspetiva “positiva”, essa decisão pode ser justificada pelo “cumprimento rigoroso da consolidação orçamental, resiliência macroeconómica, desemprego baixo e a resiliência do setor do turismo”. Já Filipe Silva admitiu que pode haver “uma surpresa positiva e a uma mudança favorável”, tendo em conta que Portugal apresentou um excedente orçamental em 2025 e continua a registar uma redução do rácio da dívida pública. “Resta entender em que medida o conflito atual e a inflação podem impactar negativamente o crescimento econômico em Portugal”, assumiu. Em 16 de janeiro, a DBRS decidiu manter o ‘rating’ de Portugal em ‘A’ (alto), deixando também a perspectiva estável, alertando para os riscos que o crescimento da economia enfrenta. A DBRS foi a primeira agência de classificação financeira a se pronunciar sobre a dívida soberana de Portugal este ano. Já a S&P, em fevereiro, e a Fitch, em março, mantiveram a classificação mas melhoraram a perspectiva para positiva. O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de classificação financeira, com grande impacto para o financiamento de países e empresas, uma vez que avalia o risco de crédito. Leia Também: DBRS prevê que lucros do banco se mantenham sólidos, mas menores



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