Emissão de dívida em yuan fora da China atinge máximos

O aumento faz parte de uma expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 bilhões de yuans (37,5 bilhões de euros) em 2026, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado, que já havia sido recorde, apontou o jornal britânico. Entre os emissores recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, refletindo uma ampliação do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações administradas pelas próprias instituições, totalizou 47,5 bilhões de yuans (5,9 bilhões de euros), também um recorde histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs representando a maioria desse montante. “Há muita demanda por ativos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atraente”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de renda fixa, moedas e commodities do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenômeno como uma “corrida por financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais. O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan (quatro mil milhões de euros) este ano, cerca de 10% do total. A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo a expansão do programa Bond Connect, que permite que investidores da China continental comprem títulos em Hong Kong. Essas medidas visam canalizar poupança doméstica para ativos com maior rendimento, em um momento em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa — cerca de 1,75% em títulos soberanos de 10 anos. Economistas indicam que o yuan está começando a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, em um momento em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa se tornou uma importante fonte de financiamento por falta de alternativas melhores”, disse Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis. O crescimento dessas emissões ocorre em um contexto em que Pequim busca reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controles rígidos sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar americano. Leia também: Yuan atinge máxima frente ao dólar em três anos após anúncio de cessar-fogo



Publicar comentário