Este é o principal risco para a estabilidade financeira

O BCE afirmou no Relatório de Estabilidade Financeira, publicado hoje, que “as perspectivas para a estabilidade financeira da zona do euro estão sendo moldadas pelo ‘estresse’ geoeconômico e pelas interrupções no fornecimento de energia”. A entidade monetária destacou no relatório semestral que ainda não se sabe a gravidade e a duração das consequências. O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou ao apresentar o relatório que “o atual impacto na oferta de energia coloca riscos de alta para a inflação e de queda para o crescimento econômico”. Também poderá aumentar a volatilidade do mercado e por à prova a capacidade de reembolso da dívida, uma vez que os custos financeiros aumentam num contexto de crescimento económico mais fraco, acrescentou Luis de Guindos na sua última conferência de imprensa como vice-presidente do BCE, uma vez que o seu mandato de oito anos termina a 31 de maio. O sistema financeiro global e a economia real entraram em 2026 com uma resistência significativa, mas o impacto geoeconômico da guerra no Oriente Médio põe à prova essa resistência, segundo o BCE. Além disso, a incerteza sobre o comércio global e a cooperação internacional amplificam o ‘estresse’ geoeconômico, apesar dos mercados financeiros estarem se ajustando. Ao mesmo tempo, os prêmios de risco das obrigações corporativas são baixos em todo o mundo, então o preço é “vulnerável a um nível incomumente alto de incerteza geopolítica e política”, segundo o BCE. A confiança nos mercados financeiros pode se deteriorar, porque os riscos relacionados a eventos geopolíticos, fiscais e macrofinanceiros parecem subestimados. Outra das consequências que a guerra no Irã pode desencadear é um aumento nos prêmios de risco da dívida soberana de alguns países altamente endividados, uma vez que a expansão fiscal no novo contexto geopolítico pode exercer pressão adicional sobre as finanças públicas, alertou o BCE. Os bancos da zona do euro têm lidado bem com a incerteza atual, acrescentou o BCE, porque têm “uma rentabilidade sólida e amplas reservas de capital e liquidez”. No entanto, se as condições do mercado se tornarem mais voláteis, podem surgir riscos de liquidez e de financiamento devido ao sistema bancário paralelo. “A qualidade dos ativos dos bancos também pode se deteriorar se as condições macrofinanceiras piorarem significativamente como resultado da guerra no Oriente Médio, embora suas exposições diretas à região sejam limitadas e concentradas em poucos bancos”, segundo o BCE. Um conflito prolongado pode ter efeitos negativos sobre as empresas de setores sensíveis ao comércio, energia e taxas de juros, o que, por sua vez, pode deteriorar as condições do mercado de trabalho e pressionar o custo de vida das famílias. O banco também destacou que “os riscos para a segurança cibernética e as ameaças híbridas às infraestruturas críticas estão aumentando neste contexto geopolítico complexo”. Leia Também: BC avalia preparação de bancos diante de riscos de ataques cibernéticos



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