Exportação de eletricidade por Moçambique recuou 41% em 2025

De acordo com dados do mais recente relatório do Banco de Moçambique detalhando as exportações do país, essas vendas em nove meses do ano passado, de 318,2 milhões de dólares (275 milhões de euros), comparam com 535,3 milhões de dólares (462,1 milhões de euros) no mesmo período de 2024. O banco central explica que essa exportação foi influenciada “pelas condições hidrológicas adversas e por problemas técnicos registados num dos principais fornecedores, os quais limitaram o volume de energia disponível para exportação”. A atual estação chuvosa em Moçambique já permitiu que a HCB mais que dobrasse os níveis de água armazenada naquele reservatório, após mínimos históricos causados pela seca. “Estamos agora nos recuperando. Estamos nos aproximando de 50% (da capacidade), provavelmente até o final da estação chuvosa, final deste mês, estaremos muito próximos de 50% e estamos vindo de 20%”, disse o presidente do conselho de administração da HCB, Tomás Matola, em 17 de março. Tomás Matola admitiu que essa recuperação foi influenciada principalmente pelas chuvas “a montante do reservatório”, com os afluentes sendo “determinantes para essa recuperação”. “Vamos depois, ao longo do ano, produzir, usando esse armazenamento. Vamos reduzir até ao final do ano, mas acreditamos que na próxima época chuvosa vamos ter uma outra recuperação até atingirmos novamente os níveis desejados de armazenamento”, afirmou, assumindo a convicção de que aquela albufeira e outros projetos deste ‘hub’ energético, como a vizinha nova barragem de Mphanda Nkuwa — também no rio Zambeze e na província de Tete, com 1.500 MW -, vão garantir as necessidades dos projetos em curso e dos países vizinhos, como Zâmbia, Zimbábue, Maláui e Essuatíni. “E, sobretudo, da África do Sul, em que é muito grande o nível de demanda. É muito mais alto em relação a todos os países da região. Portanto, com esses projetos nós entendemos que seremos, sim, um ‘hub’ energético na região. Só a HCB sozinha, a nossa visão até 2034, é até lá nós conseguirmos uma capacidade de até 4.000 MW (atualmente 2.075 MW)”, disse ainda, aludindo aos planos para uma nova usina e um parque solar. A produção de eletricidade em Moçambique caiu 25% em 2025, influenciada pela falta de água na albufeira da HCB, após o “pior registro pluviométrico” em 43 anos, segundo informação oficial noticiada antes pela Lusa. Em relatório de execução orçamentária de 2025, o governo aponta que a produção global de energia elétrica no país foi de 14.408.381 MegaWatt-hora (MWh), execução de 76,7% em relação ao plano anual e menos 25,4% em relação a 2024. “A baixa produção se deu em grande medida pelo fraco desempenho das hidrelétricas, que no período em análise, registraram grau de execução de 72,3% e um grau de execução queda de 30,7% em relação ao mesmo período de 2024”, diz o documento. O país “é o maior produtor de hidroeletricidade na África austral” e “quase toda a sua produção vem da HCB”, sendo “complementada por outras pequenas barragens sob gestão” da Eletricidade de Moçambique, acrescenta o relatório. Em 2025, segundo o mesmo texto, as hidrelétricas geraram 11.207.934 MWh, 30,7% a menos em relação a 2024, desempenho explicado “em grande medida, pelos efeitos do fenômeno El Niño, que afetam a usina da HCB desde 2023”. “A escassez de precipitação na bacia do Zambeze (onde funciona a HCB) reduziu a disponibilidade de água nas principais albufeiras do país (Corumana, Mavuzi e Chicamba), culminando no ano hidrológico de 2024/25 com o pior registro pluviométrico dos últimos 43 anos”, acrescenta o relatório do banco central. A falta de disponibilidade de energia a preços considerados acessíveis também esteve no centro de uma disputa que levou a Mozal, maior indústria do país, a suspender a atividade desde 15 de março, afetando mais de 4 mil empregos, diretos e indiretos. Leia Também: Países mais pobres devem fortalecer “disciplina fiscal”



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