Gasóleo deverá encarecer 19,9 cêntimos com travão do Governo

Combustíveis desceram na reta final de 2025. E os impostos?

O diesel deve encarecer 19,9 centavos no início da próxima semana com o freio do governo, por meio do prometido desconto no Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP) anunciado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. No caso da gasolina não há intervenção do Executivo, já que o aumento previsto é de menos de 10 centavos. As previsões, sem o desconto, apontavam para uma alta no preço do diesel na casa dos 25 centavos. Já a gasolina deve encarecer cerca de sete centavos no início da próxima semana. Em entrevista ao Notícias ao Minuto, a vice-presidente da Anarec, Mafalda Trigo, reiterou que esses valores são provisórios e só ficam fechados nesta tarde. A responsável aconselhou que os clientes “não tentem açambarcar” e garantiu que “não haverá falta de produto, trata-se de subida no preço”. “A corrida aos postos de gasolina já está acontecendo” e se o combustível terminar em alguns locais esta semana, devido à afluência, será restaurado no início da próxima semana. “Não haverá falta de combustível”, garantiu. Por enquanto, esses valores não configuram a maior alta de todos os tempos, já que “no início da guerra na Ucrânia houve um aumento de 25 centavos de uma semana para outra”, lembrou Mafalda Trigo. Os preços dos combustíveis, tanto do diesel quanto da gasolina, vão aumentar na próxima segunda-feira. Confira as previsões e os valores esperados para essa alta, que no caso do diesel pode ser de 23 centavos por litro. Beatriz Vasconcelos | 09:23 – 06/03/2026 O desconto (prometido) pelo Governo O primeiro-ministro admitiu, esta semana, que o Governo poderá avançar com um desconto extraordinário e temporário do ISP para compensar uma subida dos combustíveis caso se verifique um aumento de 10 cêntimos face ao valor desta semana. Essa posição foi transmitida por Luís Montenegro no debate quinzenal, no Parlamento, em resposta a uma intervenção do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, sobre as consequências econômicas da intervenção norte-americana e israelense no Irã. “Dentro da orientação que foi dada a vários membros do governo para não desvalorizar os efeitos que o conflito (com o Irã) pode ter na nossa dinâmica econômica, estamos em condições de dizer que um desses efeitos pode vir a ser o aumento do preço dos combustíveis”, começou por apontar o líder do Executivo. Nesse sentido, segundo Luís Montenegro, caso haja uma alta de preço da gasolina e do diesel superior a 10 centavos em relação ao valor desta semana, nesse cenário, “o governo vai introduzir um desconto extraordinário e temporário do ISP para compensar o adicional da receita do IVA”. “Por essa forma, todo esse adicional é devolvido às portuguesas e aos portugueses e às empresas”, acrescentou o primeiro-ministro. Estalada do petróleo: Os motivos O Irã fechou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases dos EUA e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia. O Estreito de Ormuz é a principal rota de transporte marítimo de petróleo e gás do mundo. Cerca de um em cada cinco barris de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz e qualquer interrupção nessa hidrovia tem um impacto imediato na economia global, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, a maioria iranianos. (Notícia atualizada às 12h55) Leia Também: Confirmado: Combustíveis vão mesmo disparar 2ª-feira (eis as previsões)

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