Mais da metade dos trabalhadores de contact centers com

No ano passado, 55,8% dos trabalhadores dos ‘contact centers’ tinham contrato sem termo, “o maior valor desde 2022”, enquanto 38,9% tinham contrato a termo, segundo estudo promovido pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC) e que será apresentado hoje na Conferência Internacional APCC 2026. Dos cerca de 40% trabalhadores com contratos a termo, 26,9% tinham contrato a termo incerto e 12% a termo certo, aponta. Segundo esse estudo, que faz um retrato desse setor, que em Portugal emprega mais de 115 mil pessoas, os contratos sem prazo têm vindo a ganhar terreno (em 2023 eram 50,7% e em 2024 54,6%), enquanto os contratos a termo têm vindo a recuar (em 2023 eram 45,2% e no ano seguinte 40,8%). Já os “contratos de prestação de serviços e trabalho temporário representam cerca de 5%, mantendo-se em linha com os anos anteriores”, acrescenta o estudo. As remunerações têm vindo a crescer, com o salário bruto médio mensal dos operadores a ultrapassar “pela primeira vez os 1.000 euros” em 2025, fixando-se nos 1.021 euros, um aumento face aos 973 euros em 2024 e aos 932 euros registrados em 2023. Por setor de atividade, é nos dos transportes e viagens que o ordenado bruto médio mensal dos operadores é mais elevado, tendo-se fixado nos 1.063 euros no ano passado, seguido por assistência na estrada (1.030 euros) e bancos e outras instituições financeiras (1.028 euros). No polo oposto está o comércio (varejo e distribuição) e o turismo, cuja remuneração média mensal bruta das operadoras era de R$ 931 e R$ 947, respectivamente. A situação é semelhante no caso dos supervisores, cujo salário médio bruto era de 1.344 euros em 2025, o que compara com os 1.312 euros no ano anterior e os 1.230 em 2023. “Os setores com RBM mais elevadas são a assistência em viagem (1.501euros) e os transportes e viagens (1.378 euros)”, enquanto “os valores médios mais baixos encontram-se no turismo (1.245 euros) e no comércio (1.190 euros)”. Por outro lado, os técnicos de qualidade e formação tinham uma remuneração média mensal bruta “ligeiramente abaixo do valor dos supervisores”, fixando-se em 1.271 euros em 2025, sendo que por setor de atividade a indústria ocupa o lugar cimeiro (1.407 euros) e o valor mais baixo pertence ao turismo (1.045 euros). Já no caso dos coordenadores, cujo indicador é, ao lado dos técnicos de qualidade e formação, incluindo pela primeira vez neste estudo, o salário médio mensal bruto era de 1.727 euros, com o maior valor a ser registrado no setor de transporte e viagens (1.747 euros) e os mais baixos no comércio (varejo e distribuição) (1.537 euros) e na administração pública e setor social (1.526 euros). O estudo revela ainda que “os incentivos têm agora um peso menor”, tendo passado de 20% para 18% no caso dos operadores e de 21% para 19% da remuneração global nos supervisores. As qualificações dos trabalhadores têm vido a aumentar: quase metade (49,8%) tinha, no ano passado, o ensino médio completo e cerca de um terço (30,6%) concluiu o ensino superior. “Em crescimento constante nos últimos anos está a frequência ao ensino superior, que tem vindo a ganhar terreno em relação a quem detém o ensino secundário (7,5% em 2023, 9,9% em 2024, 16,3% agora)”, assinala o estudo, acrescentando que “os únicos setores com uma diferença mais significativa em relação à média são a indústria, com um número superior de frequência do ensino secundário, e a assistência em viagem, com apenas 16% com ensino superior completo”. As mulheres continuam a estar em maioria no setor, incluindo em cargos de chefia, sendo que os ‘contact centers’ “continuam presentes em todos os distritos e regiões autónomas”, ainda que com uma concentração significativa em Lisboa “que representa aproximadamente 70% das respostas e 60% dos colaboradores”. Na edição 2026 do Estudo de Caracterização e Benchmarking da Atividade de Contact Centers, foram coletadas informações de 59.409 profissionais, distribuídos em 1.717 operações, de 96 empresas. Sendo que sendo este um estudo de participação voluntária, a taxa de resposta às diferentes perguntas não é sempre de 100%. Leia Também: Angola quer recuperar peças desaparecidas e enriquecer museus



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