Mau tempo em Portugal: Alimentos vão ficar mais caros?

Mau tempo em Portugal: Alimentos vão ficar mais caros?

O mau tempo parece não dar trégua, as enchentes e inundações são evidentes e o ministro das Finanças ainda não sabe o impacto que as tempestades das últimas semanas terão nas contas nacionais, mas e nos alimentos? A agricultura considera que os preços não serão influenciados, mas a distribuição não se compromete, por enquanto, com uma estimativa. Em declarações à Rádio Renascença, o secretário-geral da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, diz que é fundamental “sossegar os consumidores” e afirma “que não vai faltar nenhum produto”, nem “vai haver uma subida extraordinária” de preços, porque “isto aconteceu aqui em Portugal e nós vivemos num mercado único europeu. “O consumidor não vai notar porque quando o produto não vem de um lado, vem do outro”, disse Luís Mira. Por outro lado, o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresa de Distribuição (APED), Gonçalo Lobo Xavier, disse, em declarações ao mesmo meio de comunicação, que “temos que nos concentrar agora nas questões imediatas”, mas não se compromete com uma resposta relativamente ao impacto nos preços e escassez, argumentando que, neste momento, é “extemporânea”. “Se isto vai ter efeitos dentro de um ou dois meses no mercado, é muito extemporâneo dizê-lo e não contribui para a resolução dos problemas. Neste momento, estamos focados no abastecimento, na manutenção da logística, na ajuda à produção primária”, sublinhou Gonçalo Lobo Xavier. Ministro da Agricultura anuncia 40 milhões em apoios devido ao mau tempo O ministro de Agricultura anunciou, esta semana, em Torres Vedras uma linha de apoio de 40 milhões de euros destinada à reposição do potencial agrícola que teve estragos provocados pelo mau tempo. José Manuel Fernandes anunciou “um apoio adicional ao que tem sido anunciado de 40 milhões de euros para a reposição do potencial produtivo. Para se aceder a esse apoio, é necessário que o prejuízo seja superior a 30% em termos da exploração”. Os apoios a fundo perdido destinam-se aos agricultores dos 68 concelhos onde foi declarada calamidade. Desde quinta-feira, quando abriram os avisos, só na região de Lisboa e Vale do Tejo 190 pessoas sinalizaram os seus prejuízos, que estão estimados em 18 milhões de euros até agora, adiantou o governante. O ministro da Agricultura falava aos jornalistas durante uma visita a uma exploração agrícola no concelho de Torres Vedras. As estufas de produção de tomate, um projeto de quase um milhão de euros de investimento erguido em 2022, ficaram quase todas destruídas, com estruturas metálicas vergadas e plásticos danificados, contou à Lusa um dos sócios. Estavam aqui 22 mil plantas e conseguimos aproveitar cinco mil, porque a estrutura da estuda foi abaixo e a maior parte das plantas ficou debaixo ou estragada pelos ventos”, contou à Lusa um dos sócios, Diogo Antunes. O agricultor estimou entre 500 a 600 mil euros o prejuízo. “Produzimos anualmente 600 toneladas de tomate que não vamos produzir, não temos trabalho para os nossos nove funcionários e não teremos faturação”, alertou. Desde a semana passada, na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, onze pessoas morreram em Portugal e centenas de outras ficaram feridas ou desalojadas. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fechamento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

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