Mau tempo: Empresas afetadas devem pedir adiantamentos às

“(…) As entidades signatárias apelam às empresas afetadas para que solicitem ativamente adiantamentos junto das respectivas seguradoras, sempre que isso se mostrar necessário, contribuindo assim para uma resposta mais eficaz às dificuldades imediatas decorrentes dos sinistros”, lê-se em comunicado conjunto. O comunicado vem após uma reunião, na semana passada, na Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria (NERLEI CCI), entre a Estrutura de Missão, a APS e associações empresariais das regiões mais afetadas, na qual foi analisada a resposta do setor de seguros aos prejuízos causados pelo chamado “trem de tempestades”. “Foi expressa preocupação com os atrasos significativos nos processos de peritagem e orçamentação, os quais estão a condicionar a rápida avaliação de danos e, consequentemente, a regularização dos sinistros e a retoma da atividade económica das empresas afetadas”, lê-se no comunicado. Na reunião, “as associações empresariais manifestaram forte preocupação quanto à insuficiente utilização, até o momento, do mecanismo de adiantamentos por conta das indenizações, instrumento que se reveste de particular importância para mitigar os impactos na atividade das empresas e assegurar a continuidade dos negócios”. “Nesse contexto, a APS reconheceu a necessidade de promover uma maior aplicação, comprometendo-se a sensibilizar suas associadas para a adoção de práticas mais proativas na concessão de adiantamentos, sempre que estiverem reunidas condições mínimas de verificação dos danos participados”, adianta. O comunicado esclarece que os adiantamentos são “uma antecipação da indenização final, não prejudicando, em hipótese alguma, a regular tramitação dos processos de apuração e avaliação de danos”, e “seu pagamento não implica renúncia a direitos por parte das empresas, nem condiciona a apuração do valor total a ser indenizado”. “Esse instrumento deve ser entendido como uma medida extraordinária para responder a contextos de especial urgência”, sustenta. À agência Lusa, o diretor executivo da NERLEI CCI, Henrique Carvalho, explicou que, por um lado, “as empresas não têm feito o pedido de adiantamento tanto quanto seria expectável, porque não há essa prática em situações normais ou porque têm algum receio na negociação futura”, e, por outro, a “APS também reconhece que as seguradoras não estão a propor adiantamentos”, havendo necessidade de sensibilizar quanto a esta matéria. As associações em questão são a de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria (Acilis), Empresarial do Concelho de Pombal (AEPOMBAL), Empresarial da Região Oeste (Airo) e Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém (Aricop). Estão incluídas ainda, além da NERLEI CCI, as associações empresariais das regiões de Coimbra e Santarém, as associações nacionais da Indústria de Moldes (Cefamol) e das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas (Aneme), e associações portuguesas da Indústria de Plásticos (APIP) e das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria (APICER), assim como o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (Centimfe). Segundo informação no sítio na Internet da APS, de 30 abril, as seguradoras regularizaram 125 mil sinistros (63% do total) e “o valor das indemnizações já pagas ou objeto de adiantamentos é de 445 milhões de euros”. “O custo apurado na época para o total de danos indenizáveis chega a cerca de 1.200 milhões de euros”, diz. Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que também deixaram várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais da metades das mortes foram registradas em trabalhos de recuperação. Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros. O Governo recebeu, entretanto, cerca de 35.900 candidaturas para apoio à reconstrução de habitações e a Estrutura de Missão designada para a recuperação estimou entre 35 mil e 40 mil o número de empresas com danos nas áreas mais atingidas. Leia Também: Seguradoras pagaram R$ 445 milhões em indenizações e adiantamentos



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