Membro do BCE defende “estrutura corporativa europeia

Considerando que o maior problema da Europa é o impasse no crescimento da produtividade, a economista alemã explicou que “um 28º regime não teria como objetivo substituir as estruturas jurídicas nacionais, nem harmonizar os impostos ou os sistemas de seguridade social”, mas sim proporcionar “o que há muito falta à Europa: um mercado único”. Em um texto intitulado “Como a Europa pode escapar de um impasse econômico”, publicado hoje no Financial Times, Isabel Schnabel escreveu que essa estrutura corporativa europeia unificada deveria ser “aberta a empresas de todos os tamanhos e setores”. Para a chefe do BCE, o problema de produtividade na Europa se deve “à dificuldade em traduzir ideias em sucesso comercial”, junto com “uma complexa teia de sistemas jurídicos, códigos corporativos e regimes regulatórios” que as empresas têm de enfrentar. “Essa fragmentação funciona como uma barreira tarifária interna, tornando a expansão além das fronteiras cara e difícil. Como resultado, o comércio intra-UE de serviços não é superior ao comércio com países não pertencentes à UE”, disse. Assim, a criação de um “28º regime” permitiria que as empresas europeias crescessem além das fronteiras e que os mercados de capitais se aprofundassem. “O talento circularia mais livremente. E a Europa poderia construir uma marca genuína ‘Made in Europe’ para líderes de mercado globais que permanecessem europeus não apenas na origem, mas também na criação de valor”, sustentou. Para alcançar esse objetivo, Isabel Schnabel propõe “um regulamento da UE que seja diretamente aplicável a todos os Estados-membros”. Caso contrário, “a Europa corre o risco de acabar com 27 versões do 28º regime, recriando a própria fragmentação que busca eliminar”. No texto de opinião, a economista também destaca as vantagens competitivas da Europa em relação aos Estados Unidos, aponta o “crescimento dinâmico” e os “fortes ganhos de emprego” dos países europeus do sul e cita as dificuldades enfrentadas pela Alemanha, às voltas com uma queda demográfica e um modelo dependente demais das exportações. O impasse econômico da Europa é também o tema de uma palestra que Isabel Schnabel dá hoje na Academia de Ciências, em Viena, na Áustria. Leia Também: Parlamento aprova audiência de Nuno Melo sobre atuação durante catástrofe



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