PR apresenta em Bruxelas visão de transformar país em hub
26 O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou hoje, em Bruxelas, uma “visão estratégica ambiciosa para transformar Moçambique num pilar central da energia e logística na África Austral”.Durante uma mesa-redonda com o Governo Federal e empresários da Bélgica, o Chefe do Estado destacou o potencial de industrialização verde e os megaprojectos de gás natural como motores de uma transformação económica sem precedentes.O encontro, focado na transição energética global, serviu para cimentar parcerias em sectores onde a Bélgica detém liderança mundial, como a gestão portuária e a inovação digital.No domínio dos hidrocarbonetos, o estadista moçambicano detalhou o andamento dos projetos na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.A estabilização da segurança no norte do país foi um ponto crucial da intervenção, permitindo a revitalização de projetos paralisados, como o da TotalEnergies.“Esse projeto começou por volta de 2017, mas teve de ser interrompido devido à situação de terrorismo.No último ano, porém, decidimos que era muito importante retomar o projeto.No mês passado, em fevereiro, estivemos em Afungi, na província de Cabo Delgado, para reiniciar as atividades”, disse o Chefe do Estado. O otimismo presidencial também se estendeu à parceria com os Estados Unidos, com previsões concretas para o curto prazo, ao fazer menção ao projeto liderado pela ExxonMobil. “Estamos actualmente em diálogo com a ExxonMobil e acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento deste projecto”, avançou o estadista, perante a plateia de investidores belgas interessados na cadeia de valor do gás.Para além do gás, Moçambique reafirmou a sua vocação para asenergias renováveis, apresentando-se como uma solução para o défice energético regional.“Na região da SADC, Moçambique tem o potencial de se tornar um verdadeiro hub energético”, defendeu o Presidente da República, destacando a Hidroeléctrica de Cahora Bassa como fonte de energia limpa que já abastece seis países vizinhos. Por isso, convidou o setor privado a se juntar ao projeto Mphanda Nkuwa, que terá capacidade de 1.500 megawatts.A estratégia de industrialização nacional passará, segundo o Chefe do Estado, pelo uso inteligente dos recursos domésticos para criar valor agregado. “Com o nosso gás doméstico queremos promover a industrialização. Queremos produzir fertilizantes, apoiar a industrialização do país e desenvolver várias centrais de energia e linhas de transmissão para abastecer Moçambique e a região”, explicou, referindo-se ainda à nova central de Temane, em Inhambane, como “peça fundamental deste puzzle”.A diversificação económica foi outro pilar da alocução, com foco na agricultura e no turismo.Daniel Chapo realçou as vastas extensões de terra arável e os 2.700 quilómetros de costa moçambicana, apelando ao investimento belga para garantir a segurança alimentar e explorar o potencial das áreas de conservação, como a Gorongosa e o Niassa, que detêm a biodiversidade dos “Big Five”.No plano logístico, Moçambique apresentou os seus três corredores de desenvolvimento (Maputo, Beira e Nacala) como portas de entrada para o interior do continente.O Presidente Chapo enfatizou a modernização do Porto de Nacala, um dos melhores portos de águas profundas da região, e a intenção de reforçar a digitalização das infra-estruturas. “Queremos investir na digitalização da infraestrutura logística, criando novos corredores digitais que complementem os corredores de desenvolvimento”, disse.Acompanhado pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, o presidente da República ressaltou que a ambição moçambicana é também tecnológica. “Nossa ambição é transformar Moçambique em um centro digital da região da SADC. Queremos instalar centros de dados no país, aproveitando a disponibilidade de energia para atender não apenas Moçambique, mas também os países vizinhos”, declarou, reforçando a abertura do país a parcerias público-privadas para materializar essa visão. O encontro foi encerrado com um convite aos empresários da Bélgica, conhecidos por sua expertise em industrialização verde e logística portuária. O Presidente Daniel Chapo reiterou que o país possui uma estratégia clara e um ambiente de negócios acolhedor:“Estamos abertos a trabalhar com o sector privado – tanto de Moçambique como da Bélgica e de outros países — para desenvolver a nossa economia e criar oportunidades de investimento. Por isso, sejam todos bem-vindos a Moçambique”. Leia mais… Você pode gostar também



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