Presidente da CDG defende criação de um fundo de catástrofes

Presidente da CDG defende criação de um fundo de catástrofes

“É fundamental que se constitua, como já foi dito várias vezes, um fundo de catástrofes que implique a participação de um vasto conjunto de entidades e é, desde logo, necessário aumentar o número dos seguros obrigatórios, cuidando de subsidiar quem não os puder suportar”, disse. Paulo Macedo falava em mensagem de vídeo na abertura da conferência “Entre a Ruína e a Reconstrução: Direito, Sociedade e Esperança após a Calamidade”, em Coimbra, no âmbito do Ciclo “O Mundo que Temos. O Mundo que Queremos”, promovido pela CDG, com a coordenação científica de Eduardo Paz Ferreira, e que contou com especialistas e acadêmicos de diversas áreas. Para o presidente da CGD, deve-se ter “mais seguros obrigatórios” para que, em situações de dificuldade, haja “melhores condições para dar resposta”. “Esperar que outros resolvam nossos problemas não é solução. É preciso disponibilizar complementarmente ao financiamento do próprio Estado, financiamento bancário para empresas viáveis ​​e famílias que precisam recuperar os danos de suas casas”, acrescentou. Nesta manhã, durante a sessão com o tema “Quando tudo falha: decisão, sociedade e limites”, o ex-ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, defendeu que “será mais muito sustentável” tentar uma solução de base natural para os problemas do que partir “direto para a solução” com uma atuação artificial. “Houve umas enchentes, faça-se uma barragem. Erro. ​​Não é mesmo assim que se deve raciocinar”, afirmou, salientando que as catástrofes existem, sempre existirem e “tudo concorre para que sejam cada vez mais frequentes”. Para João Pedro Matos Fernandes é preciso adaptação, no sentido de “viver com o que temos e tornar o território mais resiliente”. “Temos que ser absolutamente intransigentes a não ocupar leitos de cheia, a perceber que não é com estruturas artificiais que vamos proteger o nosso próprio futuro e também em fazer perceber às pessoas que há uma certa dimensão que nunca se combate nem é suposto que se combata”, sustentou. Na mesma sessão, o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC) José Reis considerou que a questão central das calamidades dos últimos anos é como se vai “governar os recursos”, salientando ser notório que o modo como têm sido governados “criou problemas”. Já para Pedro Costa Gonçalves, professor da Faculdade de Direito da UC, “o Direito tem muita dificuldade em lidar com calamidades” e situações de exceção “são um grande desafio”. Pedro Costa Gonçalves também manifestou preocupação com os “decisores angustiados”, afirmando que não ver “ninguém em paz com suas decisões e com seu processo de decidir”, algo que “exige uma reflexão”. No encerramento da sessão, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou que gerir uma calamidade “implica mil decisões” e que qualquer decisão “gera reações”, defendendo também ser preciso “um nível de governação intermédio entre as autarquias e o Governo com legitimidade para se tomarem decisões mais rápidas”. A lei dos eleitos locais “está completamente ultrapassada” diante das exigências e do papel que os prefeitos e as juntas de freguesia têm no território, ressaltou Ana Abrunhosa. “Estamos completamente desprotegidos. Isso é algo sobre o qual devemos pensar, porque a maioria das pessoas vive nas cidades, a vida das pessoas depende da decisão dos prefeitos”, acrescentou. A prefeita defendeu ainda que a cooperação institucional é fundamental para garantir rapidez e eficiência na resposta a desastres e que a proteção civil é de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Leia Também: CGD quer se manter como acionista majoritário do moçambicano BCI

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