Produto criado pelo IPB com eficácia de 95% na cura do

O IPB e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assinaram hoje, na instituição de ensino superior, o protocolo que prolonga por mais cinco anos este projeto de combate ao cancro do castanheiro, que envolve mais de três mil produtores, segundo avançou aos jornalistas a investigadora responsável pelo programa, Eugénia Gouveia. O cancro do castanheiro é uma das principais doenças fitossanitárias que afeta os soutos nos municípios de Bragança e Vinhais, onde há a maior produção de castanha do país. O IPB desenvolveu um tratamento biológico que vem sendo aplicado desde 2015 e que trata o câncer causado pela cepa Cryphonectria parasítica, comum na região. Segundo a pesquisadora do IPB, “10% de castanheiras” têm a doença, mas o tratamento biológico tem uma “eficácia em termos globais que será de cerca de 95%” e, por isso, já foram tratados “mais de 200 mil castanheiras”. “Esse é um produto biológico que atua no fungo, que é patogênico, e dessa forma o castanheiro deixa de reconhecer o fungo como parasita e para o crescimento, e promove o desenvolvimento de tecidos novos e funcionais. É um sistema altamente eficaz, altamente específico, e não interfere nem na saúde humana, nem no meio ambiente”, explicou Eugênia Gouveia. Uma das vantagens do tratamento, em relação aos agrotóxicos, é que uma aplicação é suficiente para a cura da árvore. “Todo esse trabalho que está a ser feito pelo IPB, além de já estar a apoiar de uma forma muito concreta o controlo do cancro do castanheiro, está também a obter-se informação científica para que se possa reunir, de facto, tudo o que é necessário para se vir, um dia, a homologar o produto. Até lá, obviamente, o que nos interessa a todos, quer à DGAV quer ao IPB, é apoiar os agricultores no controlo deste flagelo que afeta os nossos castanheiros”, salientou Paula Cruz Garcia, subdiretora-geral da DGAV. O tratamento é aplicado apenas nos soutos dos agricultores que fazem parte desse programa. O produto ainda não está à venda no mercado, e, para isso, precisa de homologação. O presidente da IPB revelou hoje que espera consegui-la nos próximos anos. “Há perspectiva de que, tratando-se de um produto orgânico, possa haver um processo mais simplificado e nós estamos nesta fase preparando o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial, o que dará outra liberdade”, disse Orlando Rodrigues, presidente da instituição, acrescentando que espera que antes dos cinco anos do programa o produto já esteja homologado para entrar no mercado. Cerca de 85% da produção de castanha em Portugal vem de Trás-os-Montes. Em anos ditos normais, nos municípios de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas da fruta. Leia Também: Vespa da galha do castanheiro afeta severamente áreas de Bragança



Publicar comentário