Argumentos da Agência Africana de Rating Ganham Força •

Argumentos da Agência Africana de Rating Ganham Força •

advertisemen tONU e UA preparam o início da Agência Africana de Rating (AfCRA) para corrigir as subavaliações do continente pelas três grandes agências de classificação financeira que controlam o acesso aos mercados financeiros. As queixas cresceram nos últimos anos e foram retratadas no Diário Económico (diarioeconomico.co.mz), com vários líderes africanos criticando as agências de classificação financeira – as empresas financeiras que avaliam o mercado global de dívida (soberana e empresarial). Em janeiro, o Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank), maior entidade de financiamento comercial do continente, decidiu cortar laços com a Fitch, considerando que a agência “não entende” o modelo de funcionamento e o próprio mandato do banco. Desta vez, líderes da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA) e da União Africana (UA) consideraram que as três principais agências (Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch) não contabilizam corretamente o mercado interno, estão fora de sintonia com os desenvolvimentos econômicos e prejudicam as empresas. No primeiro trimestre deste ano, as críticas subiram de tom, por meio de um relatório conjunto. “As agências globais de classificação financeira permanecem excessivamente cautelosas em suas avaliações dos países africanos, muitas vezes produzindo classificações que não refletem o progresso econômico em tempo real”, diz o 12º relatório da UNECA e do Mecanismo Africano de Revisão entre Pares (APRM, na sigla em inglês). Escrito por três diretores de cada uma dessas entidades, mas sem vincular a UNECA ou o APRM, o documento é muito crítico à atuação das agências. O relatório defende várias mudanças na metodologia, envolvimento e perspectiva dos analistas quando olham para os países africanos. Mais atualizações e menos limites No que diz respeito ao ritmo de atualização das avaliações, os especialistas da UNECA e APRM questionam “se as agências capturam totalmente as mudanças estruturais em curso na região ou se reforçam percepções ultrapassadas que impedem uma avaliação justa” sobre a credibilidade de o país emissor pagar seus credores. As críticas também estão relacionadas ao fato de que é “muito difícil” para uma empresa ter uma classificação melhor do que a do país onde opera, “uma limitação injusta”, dizem analistas. “Muitos bancos e empresas africanas de alto desempenho estão presos debaixo deste limite, não por causa de fundamentos econômicos e financeiros, mas porque operam numa região percebida como de alto risco”, escrevem, citando o exemplo da África do Sul, onde os ratings dos bancos locais só foram melhorados, por arrasto, depois de o país ter recebido uma melhoria de avaliação. Em defesa da Agência Africana de Rating (AfCRA) O cenário “sublinha a importância da Agência Africana de Rating (AfCRA), porque, ao fornecer uma imagem mais clara da qualidade institucional, governança e desempenho financeiro no contexto africano, pode ajudar a construir uma arquitetura financeira mais equilibrada, desbloqueando o potencial econômico do continente e permitindo um acesso mais justo (dos países) aos mercados de capitais”. A AfCRA é uma iniciativa da União Africana que deve entrar em operação este ano, com sede nas Ilhas Maurício. No relatório, os analistas também consideram que o rebaixamento do rating do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank), em junho de 2025, decorre de “limitações estruturais das metodologias tradicionais, particularmente de seu tratamento inadequado das instituições financeiras de desenvolvimento e da apreciação limitada de mandatos orientados por políticas.” Nas recomendações, os analistas da UNECA e do APRM dizem que, “para enfrentar os desafios persistentes na relação da África com as agências globais de classificação financeira”, é preciso “reforçar a capacidade e o envolvimento para obter avaliações precisas e oportunas, ampliar as avaliações para apoiar o desenvolvimento do mercado interno e adaptar as estruturas globais das agências de classificação financeira às realidades locais.” O relatório analisa as avaliações dos países africanos em 2025 e perspectiva a evolução dessas opiniões sobre a credibilidade dos emissores de dívida em 2026. S&P otimista em relação à África Enquanto o relatório surgia, a agência de classificação financeira Standard & Poor’s (S&P) anunciava que as avaliações dos países africanos estão no melhor nível desde a pandemia, devido às reformas e crescimento da região, que inclui a maioria dos países lusófonos. “A classificação média dos países africanos atingiu seu nível mais alto desde o final de 2020, refletindo as recentes reformas e a melhoria do crescimento, embora o impacto total nas métricas de crédito demore algum tempo para se materializar”, disseram analistas no relatório com o título “Estabilização do Momento Positivo sobre as perspectivas para 2026”. Enquanto isso, a guerra no Oriente Médio eclodiu e resta saber que impacto terá nesse cenário econômico e financeiro. O analista Benjamin Young aponta que “o crescimento estável, a inflação mais baixa, as perspectivas de preços mais altos das matérias-primas (excluindo o petróleo) e um dólar mais fraco devem reduzir os custos de financiamento e apoiar a continuação da implementação das reformas”. No entanto, ele rebate, “a dívida estruturalmente alta e as bases de receita baixas e concentradas continuarão a representar riscos importantes e, com os reembolsos da dívida externa dos governos provavelmente excedendo US$ 90 bilhões este ano, as vulnerabilidades externas também aumentaram” e continuam a ser um risco. “Os persistentes déficits orçamentários contribuíram significativamente para a deterioração do crédito observada nas últimas duas décadas, o que aumentou as necessidades de endividamento e financiamento de muitos países africanos, geralmente a custos elevados”, aponta ainda no relatório. A S&P classifica de A até C, sendo AAA mais seguro e CCC um risco extremo — abaixo disso (CC, C e D) já indica situações próximas ou em inadimplência efetiva. Há três países lusófonos analisados ​​que têm uma classificação de crédito abaixo da recomendação de investimento, ou seja, ‘lixo’, como é geralmente conhecido: Cabo Verde (tem um rating de B), Angola (B-) e Moçambique está ainda mais abaixo (CCC+). Entre os 27 países analisados ​​pela S&P, apenas quatro têm recomendação de investimento: Marrocos, Botsuana, Maurício e Santa Helena. Redação de texto • Fotografia DR

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