Ricciardi, banqueiro que queria regenerar nome da família

Ricciardi, que morreu na noite de terça-feira aos 71 anos, nasceu em 27 de outubro de 1954 e foi educado por uma perceptiva francesa em uma casa com três motoristas e mais de uma dúzia de funcionários, tendo se formado em Ciências Econômicas Aplicadas na Universidade Católica de Leuven, na Bélgica. Chegou à banca de investimento em 1992 e, antes de se tornar membro da Comissão Executiva do BES e presidir o Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), em julho de 2003, passou pelo Banco Inter-Atlântico, no Rio de Janeiro, e pelo BIC, tendo sido também ‘controlador financeiro’ na sede europeia do Grupo Espírito Santo (GES) e diretor adjunto do Bank Espírito Santo International Limited, entre outros cargos. Ricciardi foi uma das figuras que contestaram a liderança de Ricardo Salgado quando começaram a vir à tona as fragilidades do grupo BES, que acabaria por entrar em colapso em agosto de 2014, tendo se mantido à frente do BESI e liderado sua venda aos chineses do Haitong Bank. Na comissão parlamentar de inquérito sobre a queda do BES afirmou que foi “a única pessoa” que tentou “mudar o curso das coisas” e revelou que houve “duas tentativas” de afastá-lo do grupo, em novembro de 2013 e junho de 2014. Disse também ter alertado o então governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, para a existência de “um banco dentro de um banco” e para a concentração de poder em um núcleo controlado por Salgado. Foi o único membro da família Espírito Santo a quem o BdP nunca retirou o status de idoneidade, tendo sido ilibado na fase de inquérito do caso BES e testemunha de acusação apresentada pelo Ministério Público em diversos processos relacionados ao colapso do banco. Para limpar o nome da família, Ricciardi disse em 2021, em entrevista ao jornal Público, pretender criar um banco novo, mas “num conceito diferente dos chamados ‘bancos clássicos'”: “Se conseguir começar a fazer a regeneração da família Espírito Santo partirei desta vida com a consciência tranquila”, disse na época. Fora do setor bancário, José Maria Ricciardi também se destacou por sua ligação com o Sporting Clube de Portugal, do qual seu tio-avô, José Alvalade, foi sócio fundador. Foi membro do Conselho Fiscal do Sporting por muitos anos e, em agosto de 2018, apresentou sua candidatura à presidência do clube, em eleições em que Frederico Varandas acabaria vitorioso. Morreu José Maria Ricciardi, ex-diretor do Banco Espírito Santo (BES). O economista de 71 anos morreu de doença prolonganda na terça-feira, 24 de março. Ricciardi era primo de Ricardo Salgado. Maria Gouveia com Lusa | 08:32 – 25/03/2026



Publicar comentário