Serviço de Migração Diz Que Gilmário Vemba, Murilo Couto e
O Serviço Nacional de Migração (Senami) fez saber que os humoristas Gilmário Vemba, Murilo Couto e Hugo Sousa foram impedidos de entrar em Moçambique por possuírem um visto de turismo, quando, na verdade, pretendiam realizar um espectáculo.
“Vieram ao País, mas não obedeceram aos critérios. Os humoristas chegaram ao Aeroporto Internacional de Maputo no domingo, com a intenção de entrar com visto de turismo, emitido na fronteira, após avaliação dos agentes de migração, conforme prevê, desde 2023, a legislação moçambicana. Contudo, (aquele visto) exclui desse tipo de autorização de entrada as actividades remuneradas”, justificou o director-geral do Senami, Zainedine Danane.
O responsável avançou que o grupo deixou o País esta manhã, num voo da TAP, acrescentando que o promotor do evento em causa deveria “ter solicitado” uma credencial para o espectáculo às autoridades competentes, que posteriormente seria utilizada para o pedido de emissão de visto cultural para entrada em Moçambique.
No caso do brasileiro Murilo Couto, o responsável da migração revelou que, a 15 de Junho, submeteu na plataforma electrónica um pedido de visto de negócios para entrada em território nacional, sendo que três dias depois foram solicitados documentos em falta, situação que ficou sem resposta.
“O cidadão não reuniu os requisitos, nem respondeu ao indeferimento e está aqui em Moçambique. Isto tem regras. Não há nenhum país onde se entre sem obedecer aos critérios. Nem para visto de negócios, de actividade cultural e/ou de turismo tinham requisitos. Como iam, então, entrar no País? Tudo é na base da lei. Não há nada que estejamos a inventar”, concluiu.
Aeroporto Internacional de Maputo
Neste domingo (20), o humorista angolano Gilmário Vemba anunciou, a partir do Aeroporto Internacional de Maputo, o cancelamento de um espectáculo que deveria ter acontecido na capital moçambicana, juntamente com o português Hugo Sousa e o brasileiro Murilo Couto, por terem sido impedidos de entrar no País.
“Infelizmente, não vamos conseguir fazer o espectáculo”, afirmou Vemba, numa transmissão em directo na rede social Instagram, explicando que os três aguardavam desde as 14h00 pela entrada no País, a qual “foi impedida pelas autoridades, desconhecendo os motivos e confirmando o cancelamento do espectáculo e reembolso dos bilhetes.”
O espectáculo deste domingo estava marcado para as 17h00 no Centro Cultural Moçambique-China, na cidade de Maputo. Gilmário Vemba já tinha actuado em Moçambique no passado, sem registo de incidentes.
Em reacção, Dinis Tivane, assessor do político e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, afirmou através da sua conta na rede social Facebook, que Gilmário Vemba foi “impedido de entrar em Moçambique, por expor as suas opiniões”.
“Vieram ao País, mas não obedeceram aos critérios. Os humoristas chegaram ao Aeroporto Internacional de Maputo no domingo, com a intenção de entrar com visto de turismo, emitido na fronteira, após avaliação dos agentes de migração, conforme prevê, desde 2023, a legislação moçambicana. Contudo, exclui desse tipo de autorização de entrada as actividades remuneradas”
Recordar que, durante as manifestações que acontecerem em Moçambique, Gilmário Vemba demonstrou apoio a Venâncio Mondlane e ao seu movimento. A 8 de Julho, ambos partilharam publicamente um encontro, em Lisboa, exaltando “Anamalala”, que em língua macua, falada no Norte de Moçambique, significa “vai acabar” ou “acabou”, expressão usada pelo político durante a campanha para as eleições gerais de 9 de Outubro de 2024.
A palavra popularizou-se também nos protestos convocados por Mondlane, em repúdio aos resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições e validados pelo Conselho Constitucional. Em Maio, Venâncio Mondlane avançou com a constituição do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamalala).
Moçambique viveu desde as eleições de Outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais que deram vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, partido no poder.
Segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo eleitoral, cerca de 400 pessoas perderam a vida em resultado de confrontos com a polícia, conflitos que cessaram após encontros entre Mondlane e Chapo, em 23 de Março e em 20 de Maio, com vista à pacificação do País.a d v e r t i s e m e n t



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