Corretores de seguros defendem fundo de catástrofes com

Em audiência requerida pelo Chega e pelo PS sobre os efeitos das intempéries, o representante dos corretores de seguros considerou que “o Estado tem um papel muito importante” na prevenção de catástrofes, atuando em termos de projeto e tipo de construção. Ele acrescentou, no entanto, que os eventos recentes são uma “oportunidade enorme” para finalmente avançar com a criação de um fundo de desastres naturais, uma ideia já debatida entre governos anteriores e seguradoras. “As seguradoras não vão fazer coisas se o Estado não ajudar. O regulador de seguros também vai precisar da ajuda do Estado”, disse Nuno Martins, reforçando que essa é a hora “de dedicar tempo para construir alguma coisa”. Nuno Martins admitiu também a necessidade de alterar os capitais dos seguros multirrisco, estimando que o valor de reconstrução que as seguradoras pagarão, em caso de sinistro, venha a aumentar para 1.500 ou 2.000 euros por metro quadrado. Em 06 de fevereiro, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) anunciou que os líderes das empresas seguradoras que operam em Portugal entregaram uma declaração conjunta apelando ao poder político para que a criação de um mecanismo para responder a catástrofes naturais “seja assumida como uma prioridade estratégica de interesse público”. Em causa, estavam declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que em entrevista ao Público e à Renascença manifestou a vontade do Governo de criar um fundo de catástrofes já este ano, em conjunto com o regulador dos seguros. Segundo o ministro, o fundo “será capitalizado com o seguro dos imóveis e equipamentos e depois com o resseguro”. As seguradoras também manifestaram “total disponibilidade para colaborar com o Estado e com as autoridades competentes na definição de um modelo nacional de proteção robusto e sustentável, baseado em princípios de solidariedade, prevenção e compartilhamento de riscos, à semelhança do que já existe na maioria dos países europeus”. Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que também causaram muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fechamento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e enchentes são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 municípios mais afetados terminou em 15 de fevereiro. Leia Também: Intempérie fechou ao menos 157 escolas (e maioria precisa de reparos)



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