Sonae admite reduzir margens para minimizar subida dos

“A geopolítica é, de longe, a maior incógnita que temos”, afirmou Cláudia Azevedo durante a apresentação das contas de 2025 da Sonae, salientando que “os principais cenários (em cima da mesa) são à volta do preço do petróleo e de como é que a cadeia (de abastecimento) afeta os vários negócios” do grupo, na sequência da guerra no Irão. A CEO destacou que toda a cadeia de valor do negócio de distribuição alimentar “é muito afetada pelo preço do petróleo”, como foi já visível com a guerra na Ucrânia, mas considerou que tudo irá depender do tempo que durar o conflito no Médio Oriente. “É muito diferente se a guerra durar mais uma semana ou durar mais um mês, dois meses ou dois anos. Portanto, são cenários em torno disso (que estão em estudo) e como podemos nos adaptar para tentar que a proposta de valor ao nosso cliente seja a mais atraente possível nas circunstâncias dessas altas de preços”, sustentou. Por sua vez, o diretor financeiro (CFO) da Sonae, João Dolores, observou que a inflação que vem sendo registrada recentemente no varejo alimentar “é uma inflação controlada, relativamente baixa”, em torno de 3% no início do ano, “até algo inferior” à verificada durante o ano de 2025 (cerca de 4%). “Os clientes ainda não estão sentindo, na globalidade dos produtos, uma aceleração da inflação”, afirmou, embora considerando “natural que se esta situação persistir no tempo essa pressão inflacionista comece a surgir também na cadeia de abastecimento e nos fornecedores do grupo”, havendo já “alguns ecos de que isso esteja a acontecer”. “Já foi assim no passado, quando tivemos a última crise inflacionária, e nós fizemos nosso papel, baixamos nossas margens, acomodamos e amortecemos o impacto nos consumidores naquela época, e é isso que podemos garantir também agora”, enfatizou João Dolores. Sobre medidas de apoio a serem tomadas pelo governo para apoiar empresas e consumidores, a CEO da Sonae considerou que poderiam ser replicadas as tomadas na última crise inflacionária, que “demoraram algum tempo para chegar à cadeia de valor, mas no final foram equilibradas”. “Todos os ‘players’ da cadeia de valor têm de ter o seu papel e o Estado, obviamente, é um deles. Acho que da outra vez o fez de uma forma responsável e acho que desta vez também vamos encontrar uma solução todos em conjunto que beneficie o cliente final e tente atenuar o choque”, defendeu Cláudia Azevedo. Questionada se defende um possível retorno do cabaz de produtos com IVA zero, a líder da Sonae brincou, dizendo: “Obviamente (é uma medida que) gostamos muito”. No que diz respeito ao impacto financeiro na Sonae do mau tempo que há algumas semanas assolou a região centro, e na sequência do qual uma loja do grupo continua fechada, João Dolores disse que ainda está a ser avaliado, mas avançou que “seguramente são mais de 10 milhões de euros”. “Temos situações em que temos seguros que cobrem danos patrimoniais nas nossas lojas e de perda de exploração – mas não em todos os casos – e, naturalmente, estamos a acionar essas apólices para recuperar aquilo que conseguirmos”, disse. Com o atual mandato à frente da Sonae terminando este ano, quando questionada se pretende continuar na presidência executiva, Cláudia Azevedo afirmou apenas ser “muito feliz como CEO da Sonae”. (Notícia atualizada às 15h08) Leia também: Pentágono quer treinar modelos de IA para uso militar



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