CGTP acusa Governo de “artimanhas” no debate sobre pacote

CGTP acusa Governo de "artimanhas" no debate sobre pacote

Questionado em coletiva de imprensa sobre declarações da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, que aproximou a posição do PS à da CGTP, o secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira, defendeu que o executivo tem tentado “passar uma imagem para fora que depois não corresponde ao que de fato é a realidade”. “De artimanhas já este Governo está cheio delas”, afirmou, rejeitando também a ideia de que a CGTP se tenha autoexcluído das negociações. Tiago Oliveira insistiu que foi o governo que “não quis discutir” as propostas da central sindical e defendeu que o debate deve se concentrar no conteúdo do pacote trabalhista e no impacto que terá na vida dos trabalhadores. “O que estamos cobrando aqui é que o Governo retire esse pacote trabalhista, retire essa proposta, que é de um autêntico assalto aos direitos dos trabalhadores”, disse. Questionado se uma eventual não adesão da UGT à greve geral representaria uma derrota para a CGTP, o secretário-geral da central evitou responder diretamente, ressaltando que a paralisação “é construída pela participação dos trabalhadores”. “A greve geral é uma greve de todos. É uma greve para derrotar o pacote trabalhista”, disse, acrescentando que “cada um irá cuidar do seu caminho com a responsabilidade que irá assumir no fim”. Tiago Oliveira afirmou que a CGTP tem recebido adesões de várias estruturas sindicais e está a desenvolver trabalho diário em empresas e locais de trabalho para mobilizar os trabalhadores para a paralisação de 03 de junho. O dirigente sindical acusou ainda o Governo de estar “completamente afastado da realidade” e de não conhecer as dificuldades da maioria dos trabalhadores, nomeadamente em termos de salários, horários, vínculos precários e habitação. “Temos de fato um Governo que está completamente afastado da realidade. Um Governo que não conhece a realidade da maioria, não conhece a realidade de quem trabalha”, disse. Sobre a possibilidade de novas formas de luta além da greve geral, Tiago Oliveira lembrou que, nos últimos meses, foram realizadas manifestações nacionais, uma greve geral (em dezembro), iniciativas nos locais de trabalho e entregue ao primeiro-ministro um abaixo-assinado com 190 mil assinaturas contra o pacote trabalhista. “É uma luta exigente, mas é uma luta prolongada”, disse, defendendo que o objetivo imediato é construir uma “grande greve geral” para derrotar a proposta do governo. A proposta de lei do governo de revisão da legislação trabalhista foi protocolada hoje na Assembleia da República, depois de ter sido aprovada em Conselho de Ministros na última quinta-feira. O documento, com cerca de 80 páginas, aprovado em Conselho de Ministros na última quinta-feira contempla “mais de 50 alterações” ao anteprojeto inicial, das quais 12 vindas da UGT, disse então a ministra do Trabalho. As alterações propostas em julho mereceram um rotundo ‘não’ das centrais sindicais, que argumentaram ser um “ataque” aos direitos dos trabalhadores, tendo levado CGTP e UGT a avançarem para uma greve geral convergente em 11 de dezembro de 2025. Nos últimos meses, o Governo optou por reunir-se com a UGT e com as quatro confederações empresariais no Ministério do Trabalho, deixando a CGTP de fora, argumentando que a central sindical se colocou desde o início à margem das negociações ao exigir a retirada da proposta. Leia Também: CGTP exige retirada do pacote laboral e acusa Governo de “assalto”

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