ERSE avalia eventuais “compensações” após relatório que

“Este relatório confirma que as autoridades nacionais portuguesas não são responsáveis nem causadoras do apagão”, disse, em declarações aos jornalistas, sublinhando que “todas (as causas) estão fora de Portugal”. Segundo Maria da Graça Carvalho, o documento divulgado hoje, elaborado pela Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) e validado pela Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER), identifica “três eventos, primeiro em Granada, depois em Badajoz, depois em Sevilha, antes de o sistema e o apagão se propagarem”. Do ponto de vista técnico, acrescentou, “a origem principal foi o controle de tensão insuficiente do lado da Espanha”. A governante, que falava na sede do Governo, destacou que o relatório é “independente” e “não é um relatório de apurar culpados”, mas sim de identificação de causas. “Esse era o primeiro passo. O primeiro passo era entender tecnicamente o que aconteceu”, disse. A partir daqui, indicou, segue-se uma nova fase, cabendo ao regulador nacional avaliar consequências. “Agora é o momento de (…) o regulador nacional, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), fazer sua avaliação e indicar o caminho a seguir em relação às compensações”, disse. Como especialistas já explicaram, caso o evento seja considerado extraordinário não haverá indenização. O relatório final apresentado hoje inclui 23 recomendações, das quais, segundo a ministra, “90% (…) já estão implementadas ou previstas no caso nacional”, nomeadamente em termos de controle de tensão, compartilhamento de dados e reforço da resiliência do sistema. Entre as recomendações, o relatório destaca o fortalecimento do controle de tensão e da coordenação entre produção, distribuição e transporte de eletricidade. Especialistas europeus que investigaram o apagão ibérico de abril de 2025 concluíram que o incidente resultou de múltiplos fatores técnicos, mas não atribuíram responsabilidades legais, remetendo essa avaliação às autoridades nacionais. “Trata-se de uma análise técnica, não de atribuição de culpa”, disse hoje Damian Cortinas, presidente do ENTSO-E, durante a apresentação do relatório final quase um ano após o incidente. E explicou o porquê: “Primeiro, porque não temos competência para isso, segundo, porque essa avaliação depende da interpretação da lei pelas autoridades competentes de cada país”, acrescentou. O painel, que integrou 49 especialistas de vários países europeus, classificou o evento como “o apagão mais grave no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos” e um fenômeno “nunca antes observado ou teorizado”. Em 28 de abril de 2025, a Península Ibérica sofreu uma falha elétrica que deixou milhares de pessoas no escuro por várias horas, sem acesso a transporte, comunicações e serviços básicos. Em Portugal, o apagão, que teve origem no país vizinho, foi às 11h33. Leia Também: “Estamos ficando perto dos critérios para declarar crise energética”



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