Eventos Extremos Agravaram Pressão Sobre Finanças Públicas e
advertisemen tO Ministério das Finanças revelou nesta segunda-feira, 11 de maio, que as enchentes, inundações e ciclones que afetaram Moçambique no início deste ano causaram perdas econômicas e necessidades de reconstrução orçadas em cerca de 48,6 bilhões de dólares. Segundo a ministra da Fazenda, Carla Loveira, os eventos extremos afetaram cerca de 107 milhões de pessoas e destruíram mais de 210 mil casas, além de causar perdas significativas na agricultura, insegurança alimentar, interrupção de serviços essenciais e redução de receitas econômicas. Citada pela Agência de Informação de Moçambique, a governante afirmou que os desastres naturais afetaram igualmente cadeias de renda, transporte e infraestrutura social, agravando vulnerabilidades e aumentando a pressão sobre as finanças públicas. Intervindo em Maputo, durante um evento denominado “Diálogo Sobre Resiliência”, a dirigente explicou que os fenômenos climáticos extremos têm criado necessidades urgentes de resposta, recuperação e reconstrução fora do plano orçamentário inicialmente previsto, com impactos diretos sobre o endividamento público e a sustentabilidade fiscal do País. De acordo com Carla Loveira, a recente aprovação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-34 representa um marco importante na mobilização de recursos destinados a tornar a economia e a sociedade moçambicanas mais resilientes às mudanças climáticas. Ministra das Finanças, Carla Loveira Entre os outros programas em andamento, a dirigente destacou o Projeto de Resiliência Local do Norte de Moçambique (Moz Norte), financiado em 150 milhões de dólares e integrado ao Programa de Resiliência Integrado do Norte de Moçambique (PRESINO). Ele também mencionou o Projeto de Recuperação de Crises do Norte (NRSP), financiado pelo Banco Mundial em 200 milhões de dólares, destinado à reconstrução de infraestrutura e restabelecimento de programas de desenvolvimento nas áreas afetadas. Outro projeto mencionado foi o programa regional de preparação para emergências e recuperação inclusiva, avaliado em 37 milhões de dólares, orientado para a reabilitação de infra-estruturas e reposição de serviços essenciais afectados por ciclones tropicais e cheias registados em 2025 e 2026. Por seu turno, o director da divisão do Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, elucidou que as cheias e inundações registadas no início do ano provocaram danos significativos num País já afectado por múltiplas crises, alertando que até 2050 mais de metade da população moçambicana viverá em cidades, muitas delas localizadas em áreas costeiras vulneráveis a eventos climáticos extremos. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas mudanças climáticas, enfrentando ciclicamente enchentes e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024 e 2025, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afetaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos causaram pelo menos 1016 mortos, em termos nacionais, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.



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