FMI Alerta Para Riscos Crescentes na Economia Moçambicana •

O Que é a Regra "Uptick"? • Diário Econômico

advertisement O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta quarta-feira (4), em Maputo, que os novos choques globais, marcados pela escalada do conflito no Oriente Médio, pela alta dos preços do petróleo e fertilizantes e pela redução da ajuda internacional, estão aumentando os riscos para a economia moçambicana e para o restante da África Subsaariana. O alerta foi lançado por Olamide Harrison, representante residente do FMI em Moçambique, durante a apresentação do relatório Perspectivas Econômicas Regionais (REO) para a África Subsaariana e da mesa-redonda sobre o tema “Impacto do Choque nos Preços dos Combustíveis em Moçambique”. Segundo ela, a região enfrenta um novo choque externo em um momento em que ainda busca consolidar a recuperação econômica dos últimos anos. “Como vocês bem sabem, a região foi atingida por mais um choque externo, agravado pela redução da ajuda pública ao desenvolvimento, que se soma aos inúmeros choques ocorridos nos últimos anos”, disse. O FMI assinala que a incerteza em torno da economia mundial aumentou significativamente após o início do novo conflito no Oriente Médio, provocando uma elevação dos preços das matérias-primas, em particular do petróleo e dos fertilizantes, com impacto direto sobre os custos de produção e o custo de vida. “Estamos vendo aqui o fertilizante que disparou e também o preço do petróleo que todos nós estamos sentindo”, declarou Harrison. A instituição considera que o agravamento das condições financeiras internacionais poderia igualmente aumentar as pressões cambiais, reduzir o investimento privado e elevar os custos de financiamento para vários países africanos, incluindo Moçambique. “O recente aumento dos preços do petróleo, gás e fertilizantes, juntamente com outras perturbações decorrentes do choque, está prejudicando as expectativas”, ressaltou. De acordo com o relatório, o crescimento econômico da África Subsaariana deve desacelerar para 4,3% em 2026, 0,3 ponto percentual a menos do que o previsto anteriormente. O FMI prevê que os efeitos sejam particularmente sentidos em países de baixa renda e estados mais frágeis. “Prevê-se uma aceleração do crescimento em países exportadores de petróleo (…), mas uma desaceleração do crescimento em países de baixa renda e Estados frágeis, como se vê em Moçambique”, disse a representante do Fundo. A instituição também alertou para os riscos associados a uma eventual intensificação do conflito no Oriente Médio. Segundo o FMI, um novo aumento nos preços internacionais de petróleo, fertilizantes e alimentos pode pressionar a inflação, reduzir o crescimento econômico e agravar as dificuldades sociais na região. Além dos riscos externos, o Fundo destacou que a redução da ajuda pública ao desenvolvimento está criando novos desafios para os países africanos mais vulneráveis. As estimativas apresentadas indicam que a ajuda bilateral à África Subsaariana pode ter registrado uma redução entre 16% e 28% em 2025, enquanto a ajuda humanitária sofreu uma queda ainda mais acentuada. Diante desse cenário, o FMI defende a manutenção de políticas macroeconômicas prudentes, a proteção dos grupos mais vulneráveis ​​e o fortalecimento da capacidade dos países de mobilizar recursos internos e responder a futuros choques econômicos. “Em um contexto de redução da ajuda e crescente incerteza em relação às políticas econômicas mundiais, a resiliência terá que ser cada vez mais construída internamente”, concluiu Harrison.advertisement

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