Há “progressos” de Portugal na redução da dependência da

“Portugal fez progressos significativos na redução de sua dependência da energia russa, mas ainda são necessários esforços adicionais, uma vez que o país continua a importar energia russa em uma escala muito limitada”, diz o executivo comunitário em um relatório divulgado hoje. No documento sobre a iniciativa REPowerEU, lançada pela Comissão Europeia há cerca de quatro anos em resposta à crise energética causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, é indicado que Portugal conseguiu, no setor de gás, “uma redução substancial das importações em comparação com o período” anterior à guerra. As importações portuguesas de gás natural liquefeito russo (GNL) diminuíram de 74 milhões de metros cúbicos em 2021 para 180 milhões de metros cúbicos em 2025, segundo o relatório. “Este declínio resulta do reforço dos esforços de Portugal para diversificar o seu abastecimento energético, com foco na priorização de importações de GNL de fontes alternativas, como a Nigéria e os Estados Unidos. Os contratos que regulam as importações remanescentes de gás russo terão de ser alinhados com as disposições do regulamento REPowerEU”, precisa o documento. Segundo Bruxelas, Portugal também “aumentou a segurança do seu fornecimento de gás, ao mesmo tempo em que aumentou a participação das energias renováveis no seu cabaz energético”. Em 2024, o cabaz energético de Portugal continuou dominado pelo petróleo, com 47,3%, seguido por um ligeiro aumento das energias renováveis e dos biocombustíveis face a 2023, de 33,5% para 36,6%, enquanto o consumo de gás natural diminuiu de 18% em 2023 para 15,1% em 2024. No documento, é feita uma menção ao apagão “sem precedentes” que afetou a Península Ibérica em abril de 2025. Também é dito que se espera que, em 2026, o nível de interligação de Portugal com a UE suba para 13,33%, aproximando-se da meta comunitária de 15% para 2030. “A expansão contínua da capacidade de interligação transfronteiriça de Portugal, juntamente com o reforço da rede nacional, permitirá ao país integrar melhor a produção de energia renovável e aumentar a flexibilidade da rede e a capacidade de exportação”, diz o executivo comunitário, lembrando o apoio da UE a vários projetos de interconexão em andamento. Os fundos europeus relacionados à energia em Portugal incluem o Plano de Recuperação e Resiliência no capítulo REPowerEU, com um montante total de 21,9 bilhões de euros, bem como a alocação de 969,5 milhões de euros para reformas relacionadas ao hidrogênio renovável, biometano sustentável e simplificação do licenciamento de projetos de energia renovável. Acrescem as verbas da coesão, com 14,8 mil milhões de euros para Portugal, e o Fundo Social para o Clima, com 1,223 mil milhões de euros. O REPowerEU visa reduzir a dependência da União Europeia dos combustíveis fósseis russos, reforçando simultaneamente a segurança energética e acelerando a transição para uma economia mais limpa. Leia Também: Bispos defendem paz com desenvolvimento e alertam para analfabetismo



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