Lagarde recomenda maior “autonomia estratégica” nas cadeias

A líder do Banco Central Europeu (BCE) falava na 62ª Conferência de Segurança de Munique, em uma mesa redonda sobre dependências comerciais e cadeias de suprimentos em todo o mundo, onde ressaltou que a autoridade monetária da zona do euro precisa estar preparada para atuar em um ambiente econômico mais volátil. “Somos a mais aberta das grandes economias. Agora, temos que fazer a transição para a autonomia estratégica”, defendeu, referindo-se às cadeias de suprimentos. “Num mundo em que as dependências das cadeias de abastecimento se tornaram vulnerabilidades de segurança, a Europa deve ser uma fonte de estabilidade — para nós próprios e para os nossos parceiros”, vincou, considerando que “isso também faz parte da segurança europeia”. Lagarde começou a intervenção dizendo que o fato de uma banqueira falar sobre cadeias de abastecimento “é um sinal de como o nosso mundo mudou”, porque se isso acontecesse há uma década pareceria um engano mas hoje todos “reconhecem que o comércio é tanto uma questão de segurança quanto uma questão econômica”. Para a presidente do BCE, a Europa deve preparar sua autonomia estratégica apostando em três eixos: independência, indispensabilidade e diversificação. O primeiro envolve “reconstruir cadeias de suprimentos internas em tecnologias e consumos críticos para reduzir a dependência” externa, o segundo significa “desenvolver pontos fortes em áreas críticas ‘indispensáveis’ dessas cadeias de suprimentos” e o terceiro representa “distribuir cadeias de suprimentos entre parceiros para que nenhuma interrupção isolada possa paralisar” a economia, detalhou Lagarde. “A interdependência econômica se aprofundou substancialmente nas últimas décadas, criando redes complexas de fluxos comerciais transfronteiriços. O que antes era visto como uma fonte de estabilidade é agora uma fonte de vulnerabilidade: de distúrbios globais como a pandemia ao uso deliberado de dependências como uma arma”, disse. Segundo dados do BCE citados por Lagarde, “uma queda repentina de 50% no fornecimento por fornecedores geopoliticamente distantes reduziria o valor agregado da indústria de transformação (europeia) em 2 a 3%, com o impacto concentrado em equipamentos elétricos, produtos químicos e eletrônicos”. Lagarde também avidou que “depender exclusivamente do comércio — mesmo no âmbito de alianças — também acarreta riscos”, porque “os parceiros de confiança nem sempre o permanecem”. “Em alguns setores críticos, precisamos desenvolver capacidade interna, mesmo que isso seja temporariamente mais caro”, ressaltou. Christine Lagarde disse ainda que “o BCE precisa estar preparado para um ambiente mais volátil”, em que a política industrial é “mais assertiva”, em que “as tensões geopolíticas aumentam” e “as cadeias de abastecimento são interrompidas”, porque nesse cenário “é provável que o estresse nos mercados financeiros se torne mais frequente”. “Temos que evitar uma situação em que esse estresse cause vendas precipitadas de títulos denominados em euros nos mercados de financiamento globais, o que poderia prejudicar a transmissão da nossa política monetária”, sendo necessário criar a “confiança de que haverá liquidez em euros disponível, caso seja necessário”, explicou. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu hoje que a decisão de manter os juros foi unânime e que a valorização do euro está incorporada no cenário-base, estando em um intervalo em linha com a média. Lusa | 14:55 – 05/02/2026



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