“Luta vai continuar”. CGTP critica “ataque democrático” do

“O que está acontecendo é um autêntico ataque democrático”, disse o secretário-geral da CGTP, em declarações aos jornalistas, depois de ter sido recebido pelo chefe de gabinete da ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, e um assessor do secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, no Ministério do Trabalho em Lisboa, mas não ter participado da reunião entre Governo, UGT e ‘patrões’. “Ficou hoje demonstrado quem é que tem afastado a CGTP” ao longo do processo negocial sobre a lei laboral, referiu Tiago Oliveira, reiterando que não é a central sindical “que se está a pôr à margem”, mas sim “a ser afastada de todo este processo”. Questionado sobre a justificativa dada pelo Governo para a CGTP participar da reunião que está a decorrer com os outros parceiros sociais, o secretário-geral indicou que a resposta que lhe foi dada é que “a senhora ministra convoca quem quer”. Segundo indicou fonte oficial do Ministério do Trabalho, o Governo mostrou, no entanto, disponibilidade para uma reunião posteriormente com a CGTP. Dezenas de pessoas ligadas à CGTP protestaram hoje em frente ao Ministério do Trabalho, exigindo que a central sindical integrasse a reunião que está a decorrer entre Governo, UGT e as quatro confederações empresariais sobre as alterações à lei laboral. Entre as várias palavras de ordem entoadas pela delegação da CGTP estava “o pacote laboral é encomenda do patrão” ou “respeito, respeito”. Lembrando que a central sindical já apresentou propostas de revisão da lei trabalhista, Tiago Oliveira reiterou ainda que a proposta do executivo representa um “ataque aos direitos dos trabalhadores” e disse esperar ser recebido em breve pelo presidente da República, António José Seguro. Momentos antes, o líder da CGTP se dirigiu aos manifestantes que estavam na comitiva, criticando as “reuniões à parte da Concertação Social” e exigindo “que a Constituição da República seja cumprida”. “Cabe aos sindicatos, cabe às configurações sindicais a participação na construção da legislação trabalhista. Não afastem a maior central sindical do país”, ressaltou. Referindo que todo o processo está “minado de desrespeito” e de “inconstitucionalidades”, Tiago Oliveira disse ainda que “a luta de quem trabalha vai continuar” e que a CGTP vai reunir na próxima quarta-feira o seu Conselho Nacional, onde serão debatidas novas formas de luta. No protesto da CGTP, esteve presente o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, que referiu que a tomada de posição do Governo é “uma ofensa absolutamente insuportável” e que “o afastamento da CGTP é prova do autoritarismo do Governo”, pelo que o partido quis “manifestar a sua solidariedade” para com a central sindical. Questionado se essa reunião entre Governo, UGT e ‘patrões’ só aconteceu por conta do apelo do presidente da República, Pureza considerou “evidente” que “a vontade da ministra era seguir em frente contra tudo e contra todos”. O coordenador do BE estendeu ainda as críticas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, referindo que “não há nenhuma diferença entre o autoritarismo da ministra do Trabalho e o autoritarismo do primeiro-ministro”. Leia também: Portugal lamenta levantamento de sanções pelos EUA à Rússia



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