Transferências imediatas crescem 17 vezes em 2025

Com n.º de telemóvel ou NIF: Já conhece estas transferências

Segundo o Relatório de Sistemas de Pagamentos de 2025, divulgado hoje, as transferências imediatas subiram 1.623,6% em número de operações e 397,9% em valor, tendo sido feitas 323,8 milhões de transações num valor global de 140,9 bilhões de euros. O relatório do BdP aponta que esse aumento foi impulsionado pela entrada em aplicação do regulamento europeu sobre transferências a crédito imediatas (IPR) e “pela migração de transferências baseadas em cartão para operações baseadas em transferências imediatas”. A quantidade de transferências a crédito caiu pela primeira vez desde 1999, recuando 17,1% em relação a 2024. O BdP diz que no último trimestre do ano passado as transferências imediatas “corresponderam a 70,0% das transferências em Portugal”, contra 10,3% no mesmo trimestre do ano anterior. No ano como um todo, as transferências imediatas tiveram, pela primeira vez, peso superior ao das transferências a crédito no total de operações do sistema SICOI (Sistema de Compensação Interbancária), ao representarem, respectivamente, 6,2% e 3,6%, respectivamente. Ainda assim, em termos de montante, as transferências a crédito se mostram mais expressivas, com 46,9% do valor, contra 16,1% nas transferências imediatas. As transferências imediatas distinguem-se das transferências normais (tecnicamente chamadas de transferências ‘a crédito’) por o dinheiro ficar imediatamente disponível na conta de destino e não ser preciso esperar um ou vários dias. Contudo, vinham sendo pouco utilizadas devido a nem todas as entidades financeiras as terem e sobretudo a cobrarem custos mais elevados. Desde janeiro do ano passado, os bancos não podem cobrar mais por transferências imediatas do que por transferências normais, então era esperado que elas crescessem consideravelmente. Os débitos diretos cresceram 3,6% em quantidade e baixaram 1,7% em valor, tendo sido responsáveis ​​por 4,8% (251,7 milhões) de operações e 4,8% do montante global no SICOI (42,3 bilhões de euros). No SICOI, em 2025, ainda foram processados ​​6,6 milhões de cheques, em uma redução de 19% ano a ano. Ainda assim, no mesmo período, o montante de pagamentos subiu 4,1%, para 53,8 bilhões de euros, tendo um peso de 6,1% do total processado. As compras ‘online’ cresceram 19,3% em quantidade e 19,7% em valor e representaram 19,1% da quantidade e 23,1% do montante agregado de compras feitas por cartões emitidos em Portugal. Em 2025, os cartões continuaram sendo o meio de pagamento mais utilizado, representando 85,2% do número total de operações processadas no SICOI, totalizando 4,4 bilhões de pagamentos. Pelo terceiro ano consecutivo, ‘contactless’ representou mais da metade do número total de compras com cartão (57,9%). Segundo o BdP, as compras com ‘contactless’ (tecnologia que permite pagar com cartão sem inserir o cartão ou digitar o PIN) são usadas principalmente no comércio a retalho (57,1% do valor total de compras com ‘contactless’ foi neste setor) e na restauração (23,1% do valor total). No fim 2025, existiam 30,2 milhões de cartões ativos emitidos por empresas residentes em Portugal (mais 0,6% do que em 2024), pelo que, em média, cada habitante detinha 2,8 cartões de pagamento. Dos cartões ativos, 28,6 milhões tinham tecnologia ‘sem contato’. No total, em 2025, o SICOI registrou, 5,2 bilhões de operações, no valor de R$ 875,9 bilhões (mais 10,7% em quantidade e mais 12,8% em valor em relação a 2024). Segundo as contas do BdP, em média, cada habitante em Portugal realizou 412,4 pagamentos com cartão, 30,1 com transferências imediatas, 23,4 com débitos diretos, 17,2 com transferências a crédito e 0,6 com cheques. Já por valor, e por habitante, as transferências a crédito atingiram a média de R$ 38,2 mil, as transferências a crédito, R$ 21,2 mil com cartões, R$ 13,1 mil com transferências imediatas e R$ 3,9 mil com débitos diretos e cinco mil reais com cheques. Leia Também: “Violência física e sexual generalizada” contra ativistas da flotilha

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