“É indispensável que…”: AHRESP também responde a Santos

No comunicado divulgado hoje, a associação defendeu que “as políticas públicas possam ir além dos indicadores médios e respondam à realidade de quem opera no terreno”, apontando que desde logo os microempresários não têm condições de ajustar os preços face à subida de custos (alimentos, energia e custos do trabalho) e recuo da procura. “Esse setor, de enorme importância para a economia nacional, precisa ser preservado. São necessárias condições reais para que essas empresas possam manter suas atividades – e para isso, é indispensável que a análise do setor vá além das médias e reconheça a pressão real sobre as margens das microempresas”, conclamou a associação. Uma resposta ao governador do Banco de Portugal A AHRESP também se referiu indiretamente às publicações que o governador do Banco de Portugal fez na rede social X na segunda-feira intituladas ‘Crise na Restauração?”. Lá, munindo-se de estatísticas (referiu, por exemplo, que o setor cresceu 69% em termos nominais desde 2019, graças à expansão do turismo e do aumento do consumo, e só em 2025 o volume de negócios do setor cresceu 2,9% em termos nominais, face ao ano anterior), Álvaro Santos Pereira afirmou que “em relação à crise na restauração os números são de tal forma evidentes que falam por si”. O governador do BdP questionou, através de uma publicação na rede social X, a crise no setor da restauração, notando que este cresceu 69% em termos nominais desde 2019. A Associação Nacional de Restaurantes considera a análise “manifestamente redutora” e alerta para o colapso da restauração tradicional. 21/04/2026 As publicações do governador seguem uma entrevista no fim de semana passado da secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, à Antena 1/Jornal de Negócios em que defendeu medidas urgentes de apoio. Em janeiro passado, o ministro da Economia e da Coesão Territorial anunciou que o Turismo de Portugal vai apoiar as empresas do setor turístico, incluindo a restauração, através do pagamento de dívida à banca e alargando os prazos de devolução do dinheiro ao organismo Contudo, as medidas anunciadas (já então consideradas insuficientes por associações do setor) nunca foram executadas. Ainda no comunicado divulgado hoje, a AHRESP considerou que a restauração opera atualmente “num contexto de pressão estrutural crescente, margens severamente comprimidas e fechamentos silenciosos, especialmente entre micro e pequenas empresas familiares”. “isoladamente sugerem um setor dinâmico”, mas escondem uma realidade em que 91% das empresas são microempresas e 51% são empreendedores individuais, uma “natureza fragmentada e de micro dimensão” que considera torna a análise agregada e global insuficiente para retratar os problemas do setor. “Muitos desses negócios são de proximidade, de base familiar e desempenham uma função social acrescida — não só pela criação do próprio posto de trabalho, mas também pela presença nos territórios de baixa densidade, onde muitas vezes são o único ponto de referência comercial e social da comunidade”, lê-se no comunicado da AHRESP. Já na segunda-feira, a PRO.VAR – Associação Nacional de Restaurantes contestou as afirmações do governador do Banco de Portugal, cuja análise disse ser “manifestamente redutora”, e alertou para o colapso da restauração tradicional. A PRO.VAR alertou para o facto de misturar restaurantes tradicionais, cadeias organizadas, ‘fast food’ e restauração em supermercados conduzir a conclusões erradas e desfasadas. Assim, sublinhou que o crescimento destacado pelo governador está fortemente concentrado em modelos de grande escala, com custos diluídos, que “vem ganhando espaço nos últimos anos (…), às custas da ‘ineficiência dos restaurantes tradicionais, e apresentam resultados positivos, contribuindo para distorcer os indicadores globais”.



Publicar comentário