TAP: Air France-KLM diz que guerra não altera, para já,

A garantia foi deixada hoje pelo presidente-executivo do grupo franco-holandês, Benjamin Smith, durante uma teleconferência com jornalistas sobre os resultados do primeiro trimestre. Questionado se a guerra e a crise energética poderiam levar a Air France-KLM a rever a oferta pela companhia aérea portuguesa, nomeadamente em termos de valor, o gestor respondeu: “Neste momento, não”. O setor de aviação passa por um período de forte pressão, marcado pelo aumento dos custos de combustível devido ao conflito no Oriente Médio, atrasos na entrega de aeronaves e incerteza geopolítica. A saída da IAG da corrida foi considerada “positiva” por Benjamin Smith, embora o gerente tenha enfatizado que a “outra parte interessada” permanece “tão interessada” quanto a Air France-KLM, referindo-se à Lufthansa. “É positivo”, afirmou o presidente-executivo do grupo franco-neerlandês. “Ir de três para dois é definitivamente positivo”, acrescentou, garantindo que essa mudança não muda a proposta que pretendem apresentar pela TAP. Na mesma conferência, a Air France-KLM afirmou que mantém a operação prevista para o verão, apesar da pressão sobre o setor. “Vamos voar todo o horário neste verão, talvez um ou outro cancelamento aqui e ali”, disse Benjamin Smith. A Air France-KLM também admitiu que só consegue refletir nos preços das passagens parte do aumento dos custos de combustível. “Estamos em um negócio em que há demanda e oferta”, disse, ressaltando que a capacidade de repassar custos varia de acordo com a rede e o nível de concorrência. Em relação ao abastecimento de combustível, não antecipa problemas de curto prazo em suas principais bases europeias, nomeadamente em Schiphol (Países Baixos) e Paris-Charles de Gaulle (França). O grupo indicou que, na Holanda, não vê restrições no abastecimento, já que o país é exportador líquido de combustível de aviação. Em Paris-CDG, a empresa disse que há uma ligação direta ao terminal de abastecimento. Fora da Europa, a Air France-KLM também não vê pressão sobre os voos existentes nesta fase. Segundo o grupo, foram recebidos apenas alguns pedidos pontuais para não adicionar voos em determinadas rotas na Ásia. A companhia também descartou a necessidade de recorrer a apoio público semelhante ao recebido durante a pandemia, argumentando que a situação atual é diferente da vivida durante a covid-19. “Não estamos na mesma situação que estávamos durante a covid-19”, apontou o oficial, ressaltando que os aviões continuam voando e que a demanda está mantida. Air France-KLM e Lufthansa são as duas interessadas que estão na corrida pela privatização da TAP, depois que a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não avançou com uma proposta. O governo quer vender até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% para um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, em um processo em que serão levados em conta preço, plano industrial, conectividade e capacidade financeira do comprador. O executivo espera concluir a venda este ano, admitindo tomar uma decisão sobre o comprador no Conselho de Ministros no final de agosto. A Air France-KLM registrou no primeiro trimestre prejuízo de 287 milhões de euros, valor ligeiramente inferior aos 292 milhões do mesmo período de 2025, revendo para baixo as previsões para todo o ano de 2026. (Notícia atualizada às 12h44) Leia Também: Air France-KLM tem prejuízo de 287 ME entre janeiro a março e revê previsões do ano



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